O Tabu da Saúde Mental

Falar sobre saúde mental ainda é um tabu.
Para além disso, é também um preconceito muitas vezes internalizado dentro do próprio.

Ter uma doença mental não é o mesmo que ter uma doença física. Então mas não é porquê?

Têm surgido diversas notícias sobre doença mental, e doença mental grave que leva ao suicídio.

Também temos recebido partilhas sobre estes temas menos falados,
através de pessoas com exposição pública, e que de certa forma vêm trazer uma certa “normalidade” a estas questões.

Digo “normalidade” porque parece-me que ao olhar leigo, não é qualquer um que pode ter uma doença mental.

Qualquer um pode ter uma doença física, um cancro, uma pneumonia, até o covid, mas parece que para se ter uma doença mental, à partida, isso já diz qualquer coisa sobre essa pessoa, já há qualquer coisa de errado com essa
pessoa para que ela desenvolva uma doença mental.

Ora, então se alguém que aparentemente tem tudo o que consideramos essencial como por exemplo, uma família “normal”, um trabalho em que se sente realizado, boas relações de suporte, uma estabilidade financeira, boa saúde, boa aparência física, etc, então ainda é com maior estranheza que se aceita que essa pessoa possa ter uma doença mental.

Arriscaria até a dizer que, caso uma pessoa que configure este exemplo hipotético que dei, tentasse partilhar uma qualquer dor de foro psicológico,
como uma tristeza profunda, ou uma ansiedade generalizada que o paralisa, o outro que o ouvi-se ( ouvir =/ escutar) iria dizer qualquer coisa como : “ esquece isso, distrai-te, vai fazer um fim de semana fora que isso passa…”


Já ouviram alguém dizer a um paciente com cancro para esquecer isso? , para ir fazer um fim de semana que isso passa?

A sociedade ainda é muito pouco sensível à doença mental. A sociedade ainda tem muita dificuldade em escutar o outro.

A sociedade ainda tenta impor a todo o custo a ideia de que temos de ser felizes!

Estar felizes! Ser positivos!


A sociedade não gosta de se confrontada com a tristeza, com o desespero, com o desanimo, com o suicídio.
Quantas pessoas se suicidam por dia ? Alguém tem acesso a esse número?
Quantas pessoas estão deprimidas, ansiosas, ou com outro tipo de doença mental?

Quantos milhões são gastos em antidepressivos, ansiolíticos, medicamentos para dormir, e outros tantos?


Quantas pessoas conseguem falar sobre aquilo que estão a sentir e a passar?

É urgente olhar para esta questão.

A Saúde mental é tão importante como a Saúde física.

É Fundamental dar espaço ao diálogo, escutar, desmistificar.


É fundamental procurar ajuda.

Um Obrigada a Todos que com coragem, partilham as suas narrativas e trazem “normalidade” e esperança.

Em especial ás figuras públicas, que nestes dias os fizeram, por terem um alcance maior e mais mediático.

É preciso procurar ajuda profissional especializada.

Se tem uma doença mental, não precisa, nem deve ter de passar por isto sozinho.

Psícologa Clínica,
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